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A Malabarista

E essas férias, que tal?

Ma-ra-vi-lho-sas.

Já foram, é certo, mas foram três semanas seguidas em sítios diferentes com os miúdos a tiracolo, numa mistura de piscina, praia e cultura. 

O gaiato deste post anda mais calmo. Quer porque as férias lhe deram mais atenção, quer porque com estes pais não há cá espaço para grandes filmes. O único trauma é a alimentação. Se eu deixasse - e não deixo - comiam salsichas todos os dias a toda a hora. A ver se arranjam uma pancada mais saudável que eu não me importo. Eu também comia polvo à lagareiro todos os dias se me deixassem...

 

Vieram comigo das férias uns bons quilos a mais. Só batata em Espanha, muito Tinto de Verano e a óbvia despreocupação do verão deram nesta tragédia. Tudo bem, eu aguento as consequências. Agora chateia-me o efeito desacelarador da idade. Ó se chateia. Dantes duas semanas de ginásio e tudo voltava ao normal. Agora é preciso um plano de ataque em todas as frentes. Ele é vinagre de cidra em jejum, ele é suplementação alimentar, ele é cremes ultra potentes, ele é fechar a boca a porcarias... vale  tudo. 

 O novo ano lectivo lá começou. A miúda foi para o 2o ano, o gaiato para a pré, e a vossa Malabarista lá está a repetir praticamente todo o 1o ano. Sem dramas. Já dei a mim mesma um prazo de dez anos para terminar aquilo, tudo o que vier a menos é ganho. Professores, alguns já conhecidos, outros dos quais fugi propositadamente, e boas surpresas até agora. O ritmo já descolou - volto a dizer, não percebo como é que há cursos onde a malta ainda anda na fantochada das praxes - com trabalhos, testes e coisas. Muitas coisas. 

 

Profissionalmente estou ainda a meio gás. Há muitos projectos a serem trabalhados nos bastidores, o que é uma fase meio ingrata porque parece que nada acontece e dinheiro nem vê-lo. Os amigos do IEFP é para esquecer, depois dos dramas e das inutilidades a que me subti no início do processo. É impressionante como a ajuda que proporcionam é ZERO. Felizmente sei fazer-me à vida, tenho recusado propostas indecentes - as in faz de tudo e pago-te menos do que ganha uma senhora das limpezas - com um misto de incredulidade e ultraje. Vou-me rindo. O futuro do trabalho vai mudar mais rápido do que as empresas bacocas esperam, e depois vou querer assistir ao desfecho.

 

E é isto. As férias foram ma-ra-vi-lho-sas. Venham mais. Please

Houston, we have a problem.

Eu tinha um rapazinho meigo, de quase 5 anos, com imaginação fértil e perdição por bolachas de canela. 

Depois um dia acordei e tinha um mini-rufia cheio de caganças, torto como tudo, birrento por meia dúzia e sempre a desafiar só porque sim.

 

Não sou apologista de bater nas crianças, mas também não sou shanti-shanti da parentalidade positiva. Basicamente gere-se na base do impoviso e vai-se lendo umas coisas nos intervalos. Sou a favor do amor quando as coisas perdem as estribeiras. Dou time-outs e espaço para gerir emoções quando tudo está à flor da pele. Ponderam-se e explicam-se castigos e fazem-se as pazes no tempo devido. Faz parte.

 

O problema não é com ele, que está a crescer saudável e com uma maneira de ser muito própria. O problema é comigo, que coração de mãe sofre sempre que o irracional toma conta. E o meu irracional tem vindo ao de cima com bem mais frequência do que eu quero admitir a mim própria.

 

Dói dar-lhe uma xinelada? Dói arrastá-lo para o quarto? dói tirar-lhe as bolachas de canela? Dói, mas com tudo isso posso bem. Faz-se o que é preciso para que ele cresça com o mínimo de noção e educação. Com o que eu não posso, o que me atira ao tapete é o meu rapazinho meigo desenhar-me com ar de monstro quando está chateado comigo. Isso é que dói.

 

 

Compras de sábado de manhã

Na fila do supermercado um casal da minha idade compra essenciais para o seu fim de semana: preservativos, papel higiénico, toalhitas, água e bebidas isotónicas.

 

O primeiro pensamento na minha cabeça foi "ainda bem que estou safa destes filmes". Enquanto esperava fiquei atenta à conversa: festivais de verão e concertos, a falta de cultura em Portugal, a zanga dos gajos que deu origem à Everything is New, o facto de o Meo Arena ter sido comprado ao desbarato por alguém que era familiar de outro alguém no governo... 

 

 O meu segundo pensamento: nenhum gajo se safava comigo com uma sandaloca destas nos pés:

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(bem, pelo menos nenhum gajo com menos de 80 anos, que quando lá chegar já não respondo por mim)

Diz que tenho um blog quase, quase na flatline

Verdade. A culpa é dos malabarismos.

 

MAS, tal como o último episódio de GOT - que só serviu para recapitular onde andava a malta de Westeros, aqui fica um apanhado dos últimos meses:

- As aulas acabaram, num misto de "adoro isto" e "ano zero sónia cristina, ano zero". Não foi um sucesso. Foi um esforço contra-natura de complicar em vez de simplificar, coisa que estou mais do que habituada. Tudo bem. Terminei com média de 16. Só não me perguntem quantas cadeiras fiz...

 

- O Salvador Sobral lá ganhou a Eurovisão, de forma tão épica e estranha quanto ele. Não vou para aqui alardear que já gostava do moço antes do estrelato, que eu gosto de gajos com voz mais profunda. Mas é fofinho, é bom naquilo que faz, e é diferente da azeitada com que costumamos concorrer. 

 

- Os meus planos para o Verão eram praia, praia, praia. Pois, continuo branca como a areia, atulhada em trabalho de bastidores, a tornar-me ninja num monte de coisas, no modo aprende sozinha que é preciso. Gosto. Tentar alguma cor no próximo mês.

 

- A malta do IEFP tem me deixado sossegada. Pensava que era simpatia deles, mas afinal não. Parece que do famoso "plano de carreira" com que presentearam os desempregados deste país só tem 4 ou 5 sessões implementadas e a vossa cara Malabarista já as picou todas.

 

- Anúncios de emprego, entrevistas e afins merecem um post próprio e um walk of shame estilo Cersei Lannister. Não se pode com as vergonhas que por aí se publicam.

 

- E para fugir ao GOT, estou viciada no The BlackList. A season 1 é fraquinha, fraquinha, mas está lá o James Spader por isso continuei a ver enquanto passava a ferro. Depois evoluiu muito. Aquela sonsa da protagonista - que enquanto profiler do FBI não consegue traçar o perfil certo do próprio marido (mega LOL) depois entra nos eixos, e vale a pena.  E por falar no James Spader, há malta muita marada, atentem nesta homenagem até ao fim:

Vinho do Porto autêntico este homem. E a música está absolutamente perfeita. Pronto, há malta muita marada, e ainda bem. 

 

- As maminhas novas são um must. Aconselho vivamente a quem já algum dia ponderou fazer este tipo de cirurgia que faça. Se não pelas milhentas razões que podia aqui enumerar pelo menos por uma: sutiãs sem almofadas. Sim, sem esponja estilo colete à prova de balas a sufocar. É o paraíso.

 

- Fiz dez anos de casada. Fugimos sem miúdos e tivémos tempo só para nós. Dez anos... que aves raras. 

 

- Estive de castigo durante um mês inteiro, com os miúdos a fazerem praia em quinzenas separadas. Prepará-los, levá-los à escola a horas diferentes e ter de os esfregar ao fim do dia por estarem, literalmente, encardidos, de tanta brincadeira livre por aí na terra. O pior castigo é aquele momento ao final do dia em que eles descomprimem sob o formato de birra, pelos motivos mais idiotas possíveis. Estou eu a vê-los, com uma calma, desculpem lá, do car*****, a espernearem, chorarem, ficarem roxos, porque... sei lá, a batata frita está queimada na ponta.

É respirar fundo, dar espaço e amor. Eventualmente a catástrofe passa. Comecei a usar a técnica do "Qual é o tamanho desse problema?" que li por aí num blog de parentalidade positiva. Com ela funciona. Com ele é de luas. 

 

E pronto. Daqui a nada há mais. Se não houver enviem-me um desfibrilhador. 

Agradecida às duas pessoas que me lêem. Kudos para vocês :p

 

 

Bipolaridades de uma gaja morena.

Que dia mais bipolar o de hoje.

 

Começo com uma aula de três horas a sentir-me a gaja mais burra à face da terra.

Hora do almoço ligam-me para dar uma noticía espectacular.

Recebo a nota de uma frequência: 15 YAY!!!

Troco a hora da reunião de pais, epic fail.

A bateria do meu carro morre - e já sei que as vou ouvir...

 

Do outro lado do espelho...

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 Não vou falar do frio, do acordar cedo ou do simples sair de casa. Tudo isso são males menores. Quero falar de me marcarem uma sessão do IEFP no meio de um bairro social - não tivesse eu crescido na pior escola do distrito de Setúbal e isto seria dramático só por si - sobre o tema "Mobilidade e Emprego".

Lá fui eu. Pontual, com a minha convocatória, depois de estacionar o carro quase quase num eucaliptal, enquanto uma família puxava a brasa a um assador na rua e bebia umas bejecas - sim, eram dez da manhã.

Cheguei, entreguei a convocatória, a senhora perguntou-me duas coisas perfeitamente aleatórias: ano de nascimento e escolaridade. Só porque sim. Sentei-me, com os meus camaradas desempregados.

A senhora apresentou-se, deu-nos os bons dias e seguiu-se este monólogo:

"-Oh! Esqueci-me do retroprojector! Isto vai ser mesmo muito rápido hoje. É assim, se aceitarem uma proposta de trabalho num raio de 50km da vossa casa recebem o apoio X, se for mais de 50km o apoio Y e se quiserem ir para o estrangeiro informem-se que também há apoios. Era só isto. Obrigada por terem vindo."

 

 

 

Tosse do demo... temos que falar.

No boobs for me ontem, por causa da tosse. O anestesista não deixou. Fez ele muito bem. Lição aprendida: não te armes em super-mulher e vai ao médico que três semanas doentes não é normal e és capaz de precisar de uma ajudinha extra.

 

Há muitos, muitos anos, quando dava aulas de fitness nunca adoecia. Ele era cabelo molhado a qualquer hora do dia, fato de treino e casacão por cima, leggings e canelas ao léu. Nunca andava doente.

Ponho-me a pensar nisso e nas diferenças da minha vida da altura para agora e é fácil ver onde é que estou a errar:

- comia maçãs a toda a hora, umas três por dia, sempre comigo nos sacos de desporto;

- bebia litros de sumo de laranja, daquele engarrafado das marcas próprias dos super e hipermercados;

- fazia exercício todos os dias, várias horas por dia;

- tomava muito mais duches, às vezes de água gelada;

Voltar a fazer a coisa certa, principalmente no que toca aos banhos de água fria, parece-me utopia neste momento mas quero muito voltar a ser saudável naquele nível. E ter abdominais em vez de exibir umas curvas rubenescas também não me parece mal.

 

Maminhas fica para o início de Fevereiro. Para já antibiótico e atacar isto em todas as frentes. 

Depois da desilusão, de ter enfardado um monte de coisas calóricas e me ter recuperado mentalmente adivinhem lá onde é que esta pessoa tem de ir? Ao IEFP para mais uma reunião fantástica. Com o título "Mobilidade e Emprego", no meio de um bairro social, esta sessão promete. Wish me luck!

 

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One Month Later...

Como nos filmes, aqui está um salto na história. Os saltos das histórias servem para não pregar secas aos telespectadores enquanto o tempo passa e nada acontece. O princípio mantêm-se neste blog. Os únicos malabarismos ocorridos desde lado até há uma semana atrás envolveram tosse-espirro-febre-eu-ela-ele. Salvou-se o pai - o Imune às gripalhadas de inverno (e ainda bem, que ninguém atura um homem doente).

 

Os últimos dias tenho passado a ver mamas. De todo o tamanho e feitio. A ler sobre mamas, a pesquisar sobre mamas, a informar-me sobre tudo o que preciso de saber sobre a cirurgia de aumento mamário. 

A minha maior expectativa é viver uma vida livre de sutiãs almofadados. Só as miúdas a quem as mamas não cresceram vão compreender isto, e sim, eu sei que a natureza o que dá a menos a umas dá a mais a outras, e que é um transtorno ter mamas grandes por vários motivos. Cada qual com os seus calvários peitorais. Um não invalida o outro. 

 

Fui à consulta, depois de cinco longos meses de espera, passaram-me os exames, testou-se tamanhos, fez se uma simulação 3D, tudo na maior serenidade, com bom gosto e super atencioso. Escolhi uma médica para fazer a cirurgia. Gut feeling, somente. A data ficou para 15 de Março - mais dois longos meses de espera e mesmo no meio do 2º semeste. Na segunda passada ligaram-me. Surgiu uma vaga para antes desta data. Fiquei histérica. Corre para exames, corre para análises, corre para mamografia... tudo feito, tudo ok, de modo de daqui a 4 horas, qual bela adormecida, vou acordar com maminhas. A cirurgia é hoje. 

 

Estou super tranquila, a sonhar com sutiãs e bikinis, já mais do que informada, à espera da minha hora. 

 

Sensibilidade e Bom Senso

Eu, com uma grande calma e tom pedagógico a explicar aos miúdos que às vezes recebemos presentes de que não gostamos, e que não há problema nenhum, agradecemos e sorrimos. Explico que se isso acontecer na noite de Natal dão o presente para a mãe guardar e depois vamos à loja trocar.

 

Na hora de testar os conhecimentos adquiridos disse-lhes, agora imaginem que recebiam um saco de batatas, o que é que diziam? As respostas foram:

 

Ele: " UUUhhhh, isso é feio cheira a puns!"

 

Ela: " Obrigada! - sorriso -  Mas não gosto"

 

Jimmy Kimmel Style: