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A Malabarista

Mau de mais para ser verdade:

serviços académicos - ele é a demora, ele é a complicação, ele é as não-respostas, ele é as burocracias só porque sim, ele é o diz-que-disse, as senhoras idosas que teclam apenas com os indicadores.

 

wc's - portas que não fecham, autoclismos que só funcionam à pancada, luzes intermitentes, frio de rachar, filas intermináveis.

 

salas de aula - o meu rabo já não estava habituado a cadeiras de madeira, assim a seco, durante duas horas inteirinhas.

 

colegas novos - muita testosterona (já descobriam o axe...) e muito estrogéneo (não é preciso retocarem a maquilhagem e o perfume a cada intervalo...) acima de tudo muito ar de pânico e falta de foco.

 

colegas velhos - desrespeito pelos professores, necessidade de contrariar constantemente, mostrar que se sabe ou flirtar com as professoras só para cair em graça.

 

 

Expliquem-me.

Como é que eu chego à sexta feira da primeira semana de aulas com quilos de trabalhos, livros para ler, ensaios para fazer, testes marcados, orais agendadas, apresentações e discussões, todo um calendário já definido e organizado, daqui até Janeiro.

 

E a malta das outras faculdades ainda anda a brincar ao "Vou para a escola do Harry Potter", com um traje mil vezes mais feio, gritando alarvidades em nome próprio e contra as outras faculdades, devidamente alcoolizados às duas da tarde. O que é que me está a escapar?

 

HarryPoterUniforms.jpg

 

Expliquem lá.

Hooverphonic - Blue Wonder Power Milk

O Spotify informou-me que há um novo albúm de Hooverphonic. Mas eu meti este em repeat há uns dias e ainda nem ouvi o novo. Sou dura de ouvido, confesso. Algumas das minhas bandas preferidas foram gostos adquiridos: Mão Morta ou Mastodon. Outras marcaram épocas, fases ou experiências. Alguma foram descobertas espontâneas e outras fazem parte de mim. Quem é que vive sem a PJ Harvey ou o Nick Cave?

As músicas dizem me menos do que as letras. Mas há letras que não sendo por aí além de epifânicas dão para trautear descomplicadamente - vivas à Pink, à Katy Perry e ao Tony Carreira.

Música sem complexos de qualquer tipo que vai ficando por aqui como registo das minhas obsessões esquizofrénicas.

 

Setembro16.jpg

 Battersea
One Way Ride
Dictionary
Club Montepulciano
Eden
Lung
Electro Shock Faders
Out Of Tune
This Strange Effect

Renaissance Affair
Tuna
Magenta
Blue Wonder Power Milk

 

Tragédia mais do que Grega

A vida social dos meus filhos está, para já, a ser gerida pela minha (e do pai) agenda. Sejamos francos, ela tem 6 ele tem 4 e nós temos mais do que fazer do que andar com os putos para trás e para a frente a correr todas as capelinhas dos aniversários.

Mas quando eles falam de forma recorrente de um amiguinho e chega o convite para a festa de anos esta mãe tem coração, pergunta se querem ir, o que é que o amiguinho ou amiguinha gosta, escolhe-se o presente e cumpre-se o dever parental.

Na semana passada ele tinha um destes amigos a fazer anos. Chegou o convite, o jovem informou que o amigo era fã das Tartarugas Ninja (desconfio de haver aqui uma certa projecção, mas está bem... ), dos Avengers e de karaté.

Presente comprado, o almoço de Domingo foi às pressas, a toque de "come tudo para irmos para a festa", e técnicas altamente avançadas de aliciamento, interrompidas por contra-resposta negocial: "mãe, só mais duas colheres está bem?".

Ainda houve tempo para discutir com o Pai a hora da festa, que teimava que era às 16h, e eu às 14h. Fui buscar o convite e voilá, 1 ponto para a Mãe. Era mesmo às 14h.

 

Chegámos com o elegant delay de 8 minutito (atrasados depois da correria basicamente) a ansiar despachar o puto e ir tomar um café descansados só com a miúda. Informei a moça que ele vinha para a festa do amigo, e ela diz-me com um ar surpreso, que hoje não tinha nenhuma festa com aquele nome. Pânico.

 

Está o puto agarrado ao saco com o presente à procura dos amiguinhos, já a começar a descalçar-se, pronto para se atirar para os insufláveis e eu a ver a minha vida a andar para trás. E andou. Efectivamente a festa tinha sido às 14h, mas 24 horas antes. No Sábado.

Scream.jpg

Foi a primeira vez (e espero que a única) que me acontece um episódio destes. Seguiu-se um pedido de desculpas (foi mais implorar perdão) uma explicação  do que aconteceu a um miúdo de 4 anos de braços cruzados e testa franzida, e tentar conter a mega justificada birra que estava prestes a rebentar.

Mas como disse foi a primeira vez, e acho que o meu ar aflito/desesperado/culpado convenceu o gajinho, que até foi condescente comigo e me desculpou com uma festinha na cabeça.

 

 

 

Back to School

Primeiro dia de aulas, igual a ele mesmo.

Tenho colegas com 17/18 anos e colegas com mais de 45.

Tenho empresários e miúdas de cabelo cor-de-rosa.

Tenho malta que veio de ciências e um arquitecto paisagista.

Tenho aqueles para quem esta foi a primeira e única opção, e os que vieram à experiência.

Há miúdos virgens e senhora sabidas.

Há quem esteja a pés juntos, e quem venha em part time.

Do Norte, do Sul, de Lisboa e de quase todo o lado.

Há quem nunca tenha saído da vida académica e os que reingressam como eu.

Há de tudo. E promete.

Escolinha a quanto obrigas...

Eu saí da casa dos meus avós para escola. Não houve cá infantários, creches ou extrenato. Tinha avós livres por isso coube-lhes a missão de me aturar até à entrada para a primeira classe.  Isto teve coisas boas e más. As boas eram passar os dias a brincar, dormir longas sestas, andar na rua, conhecer a vizinhança (toda com mais de 40 anos) ir para o parque dez vezes ao dia, conhecer de cor o som das chaves do meu avô quando  ele vinha nas escadas, ir ao pão, ao queijo, e outros mandados de extrema importância.

As más, assim que eu me lembre vivamente, era não ter companheiros de brincadeira fixos. Isto teve duas consequências: não me calar a pedir um irmãozinho aos meus pais (que só chegaria 6 anos mais tarde, e não era bem o que eu estava à espera, afinal de contas o que eu queria era alguém igual a mim de idade) e sofrer de excesso de sociabilidade. Exemplo: não havia sítio no universo onde ao mínimo vislumbre de alguém vagamente da minha idade, eu não atacasse: "Olá, queres ser meu amigo?".

 

A entrada na escola primária foi um marco importante. Sonhava com isso, passava na escola e queria ficar lá, aprendi a ler antes de lá chegar e já fazia umas contas de somar e subtrair básicas, suspirava na montra da papelaria. Só não contava os dias de forma decrescente porque ainda não sabia. E adorei tudo desde o primeiro minuto que me sentei na secretária com uma sala cheia de gaiatos e gaiatas e uma professora daquelas old school, muito imponente e sábia.

 

Ora a entrada da minha filha no seu primeiro dia de aulas está a ser uma catástrofe épica. Daquelas em que a mãe está mais excitada do que a miúda. De nada valeram os esforços dos últimos tempos para tornar este dia memorável. Deixei-a a chorar desalmadamente.

Vejamos, eu o pai e o mano fizémos tudo para que a coisa fosse saudável, positiva e alegre. O pai explicou-lhe como era a escola dele, o que gostava, que livros ía ter, ofereceu-se para levar a pequena na primeira semana e até prescindiu do lugar dele na cama para que ela se sentisse mais segura. O mano fez o que pôde, que o coitado é mais novo por isso só percebe que ela vai para uma escola grande e que tem um trólei que ele gosta de puxar por ela. Deu beijinhos e miminhos, o que dá sempre para enternecer. Esta mãe só não fez o pino.

 

Ontem levei-a à minha faculdade. Parece que em pleno século XXI as matrículas ainda são presenciais - nem para o 1o ciclo senhores, modernizem-se! Lá fui com ela pela mão a um sítio gigante, cheio de gente por todos os lados, explicando-lhe que "a mãe ainda não tem amigas, não conheço ninguém, tal como tu, mas é normal filha"; "a mãe já é crescida, a avó já não vem com a mãe a estas coisas e um dia tu também já não vais querer que a mãe venha contigo"; ou o meu preferido: "é o traje académico. e a mãe não te sabe explicar porque é que estes meninos insistem em vestir-se como se fossem para Hogwarts e achar fixe. não, a mãe não se vai vestir assim, e sim, parece que vão todos para a festa do dia das bruxas.".

 

Achei que a coisa correu bem. De volta a casa arrumámos a mochila, respondi a todas as questões existênciais, vimos desenhos animados e ela quis ir para a cama cedo porque era dia de aulas. Hoje também estava tudo pelo melhor, saltitou até lá, tirámos fotos, perguntou mil vezes se já estava na hora, e depois a choradeira. O dilúvio total.

 

Agora antecipo mais uma semana disto até a coisa estabilizar. Muito mimo, muito consolo e muito faz-te à vida rapariga. Quem diria que a escolinha ía obrigar a tamanho esforço psicológico!

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A Malabarista é

Quase quarentona (ad eternum)

Apaixonada por tudo e por nada.

Esposa fiel e dedicada (como na música do marco paulo)

Mãe de um 2 (um de cada que é para não faltar nada)

Filha de pais TOP e Nora 5 estrelas (Cof, cof...)

Profissional exemplar (forçada ao desemprego pelas forças do mal)

Self-Made Woman a atirar para o Freelance

Fada Madrinha e Defensora dos Oprimidos (Manias...)

Cáustica e Cheia de Estrogéneo.

Sarcástica q.b.

 ZERO paciente para merdas.

Ginasta empenhada contra a Lei da Gravidade (aren't we all?!)

Adepta de vegetais, raw, macrobiótica e tudo o que não implique comer mamíferos.

Pirosona em part-time.

Coleccionadora de livros. Novos. Sem empréstimos de qualquer espécie.

Signo Punk.

Muito resolvida da sua vida.

 

E agora, achou por bem voltar à faculdade. Benzam-se.