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A Malabarista

É por isto que eu gosto do Wes Anderson

A minha vida é tão surreal quanto os filmes dele. Estéticamente podia ser mais parecida que eu não me importava nada, já em argumento não lhe fico nada atrás.

Senão vejamos: parte do que aqui relato começou a 13 de Setembro. Há episódios que não conto porque a privacidade e as represálias futuras dos meus filhos ainda pesam na consciência. Contudo já existe este manancial de episódios:

 

Coisas que só me acontecem a mim...

Choques da 1a classe, ou "eras igualzinha" segundo a minha mãe.

A bem da auto-disciplina vamos lá ver se isto funciona.

Ele podia chamar os Serviços Sociais não podia?

 

Sou uma crente do adágio "mais tarde vais-te rir", e de facto, além de me rir na hora, rio-me muito depois. Por isso aqui fica mais uma pérola digna de screenplay do Mr. Anderson:

- Ontem meti bacalhau a demolhar, 18 euros de bacalhau fanana asa branca não sei de onde, que decidi comprar salgado porque como recém desempregada tenho de ser responsável com os gastos. E não sei se já repararam mas o bacalhau já demolhado, por 18 euros levam duas postinhas e nem a espinha sobra para o gato. Lá comprei, trouxe para casa, e qual mamãe me ensinou (e sogra repetiu trezentas vezes) preparei todo o ritual do alguidar e calculei as horas das mudas de água. 

- 21:30 hora da primeira muda de água, pontualmente despejo a água em que estava o dito bacalhau a demolhar, preparo para voltar a encher o alguidar e eis senão que (entrava aqui um grande plano perfeitamente simétrico cheio de cor e expressão facial condizente, que à falta de melhor pode ser isto:

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 não havia água. Não havia água. Nem uma gota. No water. Keine Wasser. 

 

Já não chega duas miúdas doentes, uma das quais tosse sem parar - ao que o médico disse "é deixar tossir", e a outra com privação de sono EU! Ainda para mais a água foi-se, justo no dia em que meto o raio do bacalhau de molho. Só a mim. Juro.

 

De modos que, além de no meu imaginário viver dentro destes filmes, sou neste momento a primeira pessoa à face da terra a demolhar bacalhau em água engarrafada. A água ainda não voltou. Estamos em contenção de xixis e cócós. Já fui à rua averiguar e rebentou uma conduta próxima. Os senhores da câmara estão lá na fossa (literal, não metafórica) a tentar resolver a coisa. 

Aqui, a miúda e as suas febres começam a mandar smell. O bacalhau manda smell. Já acabei com o WCpato, e o stock de água engarrafada do supermercado mais próximo já desapareceu. 

 

Aguarda-se o desfecho feliz deste dia.

 

wesandersonMK.jpg

 

Está a aberta a época

das constipações, viroses, gripes, bactérias, surtos de tudo e mais um par de botas. É assim desde que há pirralhetes aqui. Não há volta a dar. Há todo um passa ao próximo e não ao mesmo até que os bichos são vencidos por cansaço. Haja a dupla paracetamol + ibuprofeno que a malta vai-se aguentando. Descobri recentemente a app febre-i-dor que é quase perfeita para manter o registo da medicação e da febre dos miúdos. Quase perfeita porque só dá mesmo para os pequenos, de resto ele é perfis personalizados, doses certas de medicamentos, alertas, e o registo fica lá. Sem que na próxima vez que vá à pediatra tenha de fazer as figuras tristes do "acho que foi mais ou menos..."

febre-i-dor app.png

 

Devia ter desconfiado que lá vinha coisa, a começar por mim, porque desde 4a feira da semana passada que estou numa letargia deprimente-ó-melancólica que não é nada minha. Quando se anda a mil é fácil confundir o cansaço temporário e a preguiça com um valente ataque de herpes e febres altas. Só me deu para dormir, dormir, dormir (ou hibernar, também é uma hipótese).  Tenho o lábio inferior 3x maior do que o normal, e se esta porra dói. Não me apetece estudar, nem pensar, nem ler, nem sequer ver séries.

 

Uma das tragédias que me assolou foi precisamente ter ficado orfã de séries assim de um dia para outro. Não sei se é só comigo, mas uma pessoa vê uma série e quando aquilo acaba não é estilo capítulo encerrado vamos partir para a próxima. É mais do género, "o que será que anda o Castle a fazer? E a Maura Isles?". O pior de tudo é o factor hábito. Eu sei que o Castle está longe de ser uma série perfeita. Mas divertia-me, dava para passar a ferro, pintar as unhas, cochilar a meio... E agora encontrar substitutos? Todo um drama. Não há nada que pegue. Vejo um episódio disto, outro daquilo... tragédia. É o que vos digo. 

 

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Alguma sugestão?

Como não estudar aos 40 anos

Minhas boas pessoas na idade em que já deviam ter juízo se meteram a estudar como eu, este aviso vale milhões e é de borla por isso atentem: não estudem de enfiada. O único retorno possível é um par de olheiras que demora uma semana para disfarçar, mesmo com corrector mega pro, e uma velocidade cerebral equivalente a um caracol raquítico.

 

As noitadas a estudar de que eu tinha memória eram assim um esforço épico ao som do chariots of fire, que só terminava com o raiar do sol, um banho, pequeno almoço e directo para o teste onde a memória a curto prazo fazia um brilharete e os resultados apareciam. Era aluna de 16/17 naquilo que me interessava.

 

A minha triste realidade da última noitada foi estudar até às 5:30 / 6:00, hora em que bateu a quebra, e senhores, que embate! A parte racional  que ainda funcionava achou por bem dormir um bocado. Meti o despertador, mas qual quê... Acabei por não levar os miúdos à escola - pedi ao marido, que ao ver o meu ar de zombie nem deu um ui. Acordei, tomei banho, café, comi, estava fresca e fofa, just like old times. Chega a hora H e a memória a curto prazo não fez nada por mim. Flop total e fiquei num frangalho - só me apetecia dormir para o mundo.

 

Estou ainda em adaptação, confesso. Quanto tempo mais para me adaptar? Não sei.

Adoro os temas (quase todos vá...) adoro ler, adoro a paixão com que os professores falam das coisas, pensar sobre isso. Odeio o ritmo. É tudo a andar, despachar, fazer e seguir. Odeio a relação catedrático-aluno, tão non-sense nos dias que correm em que existe uma multiplicidade de saberes. Às vezes apetece-me largar um mega DUH! quando não conseguem sequer ligar um retro projector. Que legitimidade tem um professor para dizer a alguém "ouça, vá ler isso para casa" quando um aluno tem uma dúvida. Por mais idiota que ela seja. Neste momento o ensino superior - fruto do processo de Bolonha - é um cumprir de metas, passar matéria e dar trabalhos. A maioria dos alunos são bébés. Acabaram de sair de 12 anos de formatação para obedecer sem questionar. São cumpridores, e acima de tudo estão ali com tudo, para viver os melhores anos da vida deles (so they think...).

 

A maior adaptação de todas é relativa às expectativas que coloco a mim mesma. Tenho que memorizar o mantra: "é para ir fazendo." e parar de achar que tenho de fazer tudo à primeira. A Filosofia é uma paixão, não é uma questão de sobrevivência, não tenho de justificar os gastos dos meus pais - só os meus mesmo, lol - e é uma coisa que estou a fazer por mim. Respirar fundo e seguir.

 

Rir também ajuda. No Facebook a página A Vida de um Universitário consegue sacar-me umas gargalhadas valentes, mesmo em alturas de desespero.

 

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Surpresas boas

A Malabarista é assim... meio (ou melhor, quase totalmente) incógnita para as pessoas à minha volta. É a minha Woman Cave virtual, chamemos-lhe assim. Venho cá quando quero, escrevo o que quero, e não há cá complicações. É essencialmente de mim para mim. Por isso quando alguém desse lado comenta, me segue, ou interage de alguma forma é sempre uma surpresa boa. Mesmo boa a valer. 

 

Hoje tinha o desafio da Mochila Vermelha nos meus alertas. Obrigada, e cá vai disto:

 

1. Café ou Chocolate - Como preferes o café ou o chocolate no Outono, e que marca bebes com mais frequência?

Café. Sempre. Nespresso, por todos os motivos possíveis. Também sou consumidora compulsiva de chás YogiTea.

 

2. Acessórios de Outono - o que optas mais por usar (gorros, cachecóis, luvas, etc.)?

Assim que arrefece visto um casaco tipo-edredon que só tiro lá para a primavera, com sorte. Não gosto de luvas, só estorvam, cachecóis, chamaria-lhes antes mantas, e gorros são obrigatórios na saída do ginásio.

 

3. Música - Que tipo de música ouves durante o Outono?

Outubro é um clássico o October Rust dos Type 0 Negative que dá o mote à estação. O resto é o que ouço o ano todo. 

 

4. Perfume - que tipo de perfume usas nesta estação do ano?

Quentes - vale tudo para aquecer.

 

5.  Velas - que cheiro gostas mais durante esta altura do ano?

Maçã-canela, especiarias, essas coisas.

 

6. O que gostas mais do Outono?

As cores, os cheiros, as castanhas, as romãs, as lareiras e... mais nada.  

 

7. A maquilhagem preferida para o Outono.

Cara lavada e hidratada. Se tiver de encontrar outros humanos lá meto uma base, dou-lhe com o Terracota da Guerlain (que faz um morto parecer cheio de saúde), armo a sobrancelha e está feito.

 

8. O que esperas fazer mais neste Outono?

Hibernar. A sério. Por mim podiam acordar-me lá para Março/ Abril que estes meses que se avizinham são os que mais me custam a passar. Não havendo essa hipótese espero meter os kilos de matéria atrasada em dia, que nenhum puto adoeça (incluíndo o adulto cá de casa) e fazer muito ginásio. 

 

 

WebSummit 2016

Este post devia chamar-se "Eu tenho dois amores".

Entre a Filosofia e o Trabalho na parte mais prática da minha vida a coisa está caótica. E nisto de ter dois amores acho que a Filosofia está a sair negligenciada. Não tenho aspirações de ser o Kant de saias do século XXI, mas também nunca me passou pela cabeça voltar a estudar para correr tudo a 10 e ficar feito. Quero mais, quero aprender mesmo e crescer mentalmente. Só que isto está a revelar-se difícil neste primeiro semestre de regresso ao estudo. É simplesmente too much going on.

Entre fechar uma empresa, a miríade (vês, não usei panóplia S.!) de afazeres de mãe/gaja/esposa, e o lado profissional a universitária que vive cá dentro está no mesmo estado que a malta que passou a semana em borgas, festas, tunas e bezanas: KO.

 

O WebSummit terminou ontem. Três dias a absorver o máximo possível (e a faltar a todas as aulas pelo meio)

O evento é uma coisa monstruosa, com pontos a melhorar para o próximo ano, o balanço é definitivamente positivo quanto à organização. Não é hábito ir-se a um evento em Portugal onde as pessoas são simpáticas e sorridentes para todo o tipo de pessoas. Consta que circularam indicações do género "como não é possível identificar quem é a malta importante tratem todos bem". O princípio é mau? É. Mas o resultado foi bom, e com a energia positiva que voluntários e seguranças, forças da autoridade e funcionários receberam espero que o efeito se mantenha para lá do evento. 

 

Gostei da diversidade de áreas tão diferentes como: AI, Moda, Saúde & Fitness, Finanças, Turismo, unidas pela malha da web e da tecnologia. É inegável que estamos a viver a revolução tecnológica e que o nosso tempo, as nossas necessidades e a nossa forma de estar são vividas a uma velocidade muito mais rápida do que as gerações anteriores à nossa. O potencial é enorme.

Gostei da acessibilidade para saber mais sobre projectos interessantes, fazer perguntas, ouvir pitches. Há inspiração em qualquer lugar ali dentro.

 

Não gostei:

- da falta do mesmo fio condutor para os diferentes palcos: agora é um debate, a seguir é uma apresentação, depois uma conversa a dois. Fazia-me sentido que num palco se fizessem apresentações, noutro existissem conversas, noutro Q&A's, ou em alternativa, por dias: dia de talks, dia de debates, e por aí. 

- da qualidade dos presenters. Estão no WebSummit p'lo amor da Santa! Powerpoints que o pc trás de raíz, imagens pixelizadas, vinte linhas de texto em cores que rasgam a retina e provocam ataques de epilepsia... NÃO! Sem falar em pessoas com tópicos interessantes mas boring as hell. Fiquei com a sensação de não haver curadoria nem apoio de qualquer espécie aos speakers.

 

Se alguém conhecer o Paddy, vá da minha parte e diga-lhe que eu faço isso para o próximo ano e garanto WOW factor até nos tópicos mais entediantes do universo. Obrigada.

 

Dois exemplos que ilustram isto:

 

O Joseph Gordon-Levitt é actor, é giro, carismático e tem um projecto maravilhoso que podem espreitar aqui. Até tinha um bom deck de slides, bem feitos, harmoniosos, claros e concisos. Depois a apresentação foi... aborrecida. Nem mais nem menos, só aborrecida. Desliguei ao fim de cinco minutos, tomei nota do nome do projecto para ver depois e bati palmas quando os outros bateram. Como na missa...

 

O Gary Vaynerchuk é empreendedor. Mais do que isso é um gajo que inspira, que contagia, que acrescenta valor. Em suma, que faz a festa sozinho. Já vi talks melhores em termos de conteúdo, mas ele incendeia uma plateia seja qual for o tópico. Ninguém sai dali indiferente. 

 

 

Agora, com dois testes para a semana e TODA a matéria em atraso... acho que vou enfiar-me num claustro só com um candeeiro a petróleo algures na Arrábida durante os próximos dias. Wish me luck!

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Bofetadas

Esta foi a semana das bofetadas. Primeiro o Trump, depois o Cohen. 

Na madrugada das eleições acordei pelas 5 e tal da manhã com o puto a tossir. Depois da rotina de água-xarope-ventilan, no regresso à cama pesquisei pelo resultado das eleições e a coisa já estava crítica. Quando umas horas depois se confirmou o sentimento foi simples: BOFETADA.

 

Hoje, sem tosses, acordei com o despertador, para o habitual browsing de notícias ainda no quentinho, e levo outra BOFETADA, com a morte do Leonard Cohen. 

 

Como o dia ainda não acabou e hoje tenho a primeira reunião com o IEFP diria que a semana se encaminha para mais uma monumental bofetada. Let's wait and see. Alguém com uma boa experiência do IEFP? Alguém que tenha sentido que de facto fizeram a  diferença e ajudaram quando foi preciso? Anyone?!?