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A Malabarista

Houston, we have a problem.

Eu tinha um rapazinho meigo, de quase 5 anos, com imaginação fértil e perdição por bolachas de canela. 

Depois um dia acordei e tinha um mini-rufia cheio de caganças, torto como tudo, birrento por meia dúzia e sempre a desafiar só porque sim.

 

Não sou apologista de bater nas crianças, mas também não sou shanti-shanti da parentalidade positiva. Basicamente gere-se na base do impoviso e vai-se lendo umas coisas nos intervalos. Sou a favor do amor quando as coisas perdem as estribeiras. Dou time-outs e espaço para gerir emoções quando tudo está à flor da pele. Ponderam-se e explicam-se castigos e fazem-se as pazes no tempo devido. Faz parte.

 

O problema não é com ele, que está a crescer saudável e com uma maneira de ser muito própria. O problema é comigo, que coração de mãe sofre sempre que o irracional toma conta. E o meu irracional tem vindo ao de cima com bem mais frequência do que eu quero admitir a mim própria.

 

Dói dar-lhe uma xinelada? Dói arrastá-lo para o quarto? dói tirar-lhe as bolachas de canela? Dói, mas com tudo isso posso bem. Faz-se o que é preciso para que ele cresça com o mínimo de noção e educação. Com o que eu não posso, o que me atira ao tapete é o meu rapazinho meigo desenhar-me com ar de monstro quando está chateado comigo. Isso é que dói.

 

 

Compras de sábado de manhã

Na fila do supermercado um casal da minha idade compra essenciais para o seu fim de semana: preservativos, papel higiénico, toalhitas, água e bebidas isotónicas.

 

O primeiro pensamento na minha cabeça foi "ainda bem que estou safa destes filmes". Enquanto esperava fiquei atenta à conversa: festivais de verão e concertos, a falta de cultura em Portugal, a zanga dos gajos que deu origem à Everything is New, o facto de o Meo Arena ter sido comprado ao desbarato por alguém que era familiar de outro alguém no governo... 

 

 O meu segundo pensamento: nenhum gajo se safava comigo com uma sandaloca destas nos pés:

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(bem, pelo menos nenhum gajo com menos de 80 anos, que quando lá chegar já não respondo por mim)

Diz que tenho um blog quase, quase na flatline

Verdade. A culpa é dos malabarismos.

 

MAS, tal como o último episódio de GOT - que só serviu para recapitular onde andava a malta de Westeros, aqui fica um apanhado dos últimos meses:

- As aulas acabaram, num misto de "adoro isto" e "ano zero sónia cristina, ano zero". Não foi um sucesso. Foi um esforço contra-natura de complicar em vez de simplificar, coisa que estou mais do que habituada. Tudo bem. Terminei com média de 16. Só não me perguntem quantas cadeiras fiz...

 

- O Salvador Sobral lá ganhou a Eurovisão, de forma tão épica e estranha quanto ele. Não vou para aqui alardear que já gostava do moço antes do estrelato, que eu gosto de gajos com voz mais profunda. Mas é fofinho, é bom naquilo que faz, e é diferente da azeitada com que costumamos concorrer. 

 

- Os meus planos para o Verão eram praia, praia, praia. Pois, continuo branca como a areia, atulhada em trabalho de bastidores, a tornar-me ninja num monte de coisas, no modo aprende sozinha que é preciso. Gosto. Tentar alguma cor no próximo mês.

 

- A malta do IEFP tem me deixado sossegada. Pensava que era simpatia deles, mas afinal não. Parece que do famoso "plano de carreira" com que presentearam os desempregados deste país só tem 4 ou 5 sessões implementadas e a vossa cara Malabarista já as picou todas.

 

- Anúncios de emprego, entrevistas e afins merecem um post próprio e um walk of shame estilo Cersei Lannister. Não se pode com as vergonhas que por aí se publicam.

 

- E para fugir ao GOT, estou viciada no The BlackList. A season 1 é fraquinha, fraquinha, mas está lá o James Spader por isso continuei a ver enquanto passava a ferro. Depois evoluiu muito. Aquela sonsa da protagonista - que enquanto profiler do FBI não consegue traçar o perfil certo do próprio marido (mega LOL) depois entra nos eixos, e vale a pena.  E por falar no James Spader, há malta muita marada, atentem nesta homenagem até ao fim:

Vinho do Porto autêntico este homem. E a música está absolutamente perfeita. Pronto, há malta muita marada, e ainda bem. 

 

- As maminhas novas são um must. Aconselho vivamente a quem já algum dia ponderou fazer este tipo de cirurgia que faça. Se não pelas milhentas razões que podia aqui enumerar pelo menos por uma: sutiãs sem almofadas. Sim, sem esponja estilo colete à prova de balas a sufocar. É o paraíso.

 

- Fiz dez anos de casada. Fugimos sem miúdos e tivémos tempo só para nós. Dez anos... que aves raras. 

 

- Estive de castigo durante um mês inteiro, com os miúdos a fazerem praia em quinzenas separadas. Prepará-los, levá-los à escola a horas diferentes e ter de os esfregar ao fim do dia por estarem, literalmente, encardidos, de tanta brincadeira livre por aí na terra. O pior castigo é aquele momento ao final do dia em que eles descomprimem sob o formato de birra, pelos motivos mais idiotas possíveis. Estou eu a vê-los, com uma calma, desculpem lá, do car*****, a espernearem, chorarem, ficarem roxos, porque... sei lá, a batata frita está queimada na ponta.

É respirar fundo, dar espaço e amor. Eventualmente a catástrofe passa. Comecei a usar a técnica do "Qual é o tamanho desse problema?" que li por aí num blog de parentalidade positiva. Com ela funciona. Com ele é de luas. 

 

E pronto. Daqui a nada há mais. Se não houver enviem-me um desfibrilhador. 

Agradecida às duas pessoas que me lêem. Kudos para vocês :p