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A Malabarista

Como não estudar aos 40 anos

Minhas boas pessoas na idade em que já deviam ter juízo se meteram a estudar como eu, este aviso vale milhões e é de borla por isso atentem: não estudem de enfiada. O único retorno possível é um par de olheiras que demora uma semana para disfarçar, mesmo com corrector mega pro, e uma velocidade cerebral equivalente a um caracol raquítico.

 

As noitadas a estudar de que eu tinha memória eram assim um esforço épico ao som do chariots of fire, que só terminava com o raiar do sol, um banho, pequeno almoço e directo para o teste onde a memória a curto prazo fazia um brilharete e os resultados apareciam. Era aluna de 16/17 naquilo que me interessava.

 

A minha triste realidade da última noitada foi estudar até às 5:30 / 6:00, hora em que bateu a quebra, e senhores, que embate! A parte racional  que ainda funcionava achou por bem dormir um bocado. Meti o despertador, mas qual quê... Acabei por não levar os miúdos à escola - pedi ao marido, que ao ver o meu ar de zombie nem deu um ui. Acordei, tomei banho, café, comi, estava fresca e fofa, just like old times. Chega a hora H e a memória a curto prazo não fez nada por mim. Flop total e fiquei num frangalho - só me apetecia dormir para o mundo.

 

Estou ainda em adaptação, confesso. Quanto tempo mais para me adaptar? Não sei.

Adoro os temas (quase todos vá...) adoro ler, adoro a paixão com que os professores falam das coisas, pensar sobre isso. Odeio o ritmo. É tudo a andar, despachar, fazer e seguir. Odeio a relação catedrático-aluno, tão non-sense nos dias que correm em que existe uma multiplicidade de saberes. Às vezes apetece-me largar um mega DUH! quando não conseguem sequer ligar um retro projector. Que legitimidade tem um professor para dizer a alguém "ouça, vá ler isso para casa" quando um aluno tem uma dúvida. Por mais idiota que ela seja. Neste momento o ensino superior - fruto do processo de Bolonha - é um cumprir de metas, passar matéria e dar trabalhos. A maioria dos alunos são bébés. Acabaram de sair de 12 anos de formatação para obedecer sem questionar. São cumpridores, e acima de tudo estão ali com tudo, para viver os melhores anos da vida deles (so they think...).

 

A maior adaptação de todas é relativa às expectativas que coloco a mim mesma. Tenho que memorizar o mantra: "é para ir fazendo." e parar de achar que tenho de fazer tudo à primeira. A Filosofia é uma paixão, não é uma questão de sobrevivência, não tenho de justificar os gastos dos meus pais - só os meus mesmo, lol - e é uma coisa que estou a fazer por mim. Respirar fundo e seguir.

 

Rir também ajuda. No Facebook a página A Vida de um Universitário consegue sacar-me umas gargalhadas valentes, mesmo em alturas de desespero.

 

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