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A Malabarista

Sensibilidade e Bom Senso

Eu, com uma grande calma e tom pedagógico a explicar aos miúdos que às vezes recebemos presentes de que não gostamos, e que não há problema nenhum, agradecemos e sorrimos. Explico que se isso acontecer na noite de Natal dão o presente para a mãe guardar e depois vamos à loja trocar.

 

Na hora de testar os conhecimentos adquiridos disse-lhes, agora imaginem que recebiam um saco de batatas, o que é que diziam? As respostas foram:

 

Ele: " UUUhhhh, isso é feio cheira a puns!"

 

Ela: " Obrigada! - sorriso -  Mas não gosto"

 

Jimmy Kimmel Style:

 

 

Presentes de Natal 2016 - Se os meus miúdos não existissem tinham de ser inventados...

Esta família é uma desgraça no que toca a dar presentes aos miúdos (eu incluída) por isso há muito tempo que a regra de 1 presente apenas está instaurada, e até temos sido relativamente bem sucedidos na tarefa. Tendo um com 4 e uma com 6 anos os presentes mais pedidos não são de todo do mais exorbitante. Aliás, eles avaliam o presente pelo tamanho da caixa - o que já deu origem a choradeiras, explicações exaustivas e por fim um get over it da parte desta mãe e do respectivo pai. Contudo há pedidos daqueles que vale a pena registar para mais tarde me rir. Vejamos:

 

Ele gostava de receber o Senhor Dinkles. E quem é o Senhor Dinkles? Em que filme é esta a personagem principal, o herói ou vá, pelo menos a personagem que faz umas piadolas? Bem, em nenhum. Entra no filme dos Trolls e é o peluche de estimação de uma personagem - o Biggie. O meu filho não quer a personagem, não, ele quer o peluche da personagem. Quem sabe o miúdo é alto visionário e não tarda há um spinoff do peluche?

 

BiggieDinkles.jpeg

 

 

Ela anda há anos a pedir-me algo que não compreendo: um spa de contas para os pés. Eu sei que ela salta, pula, corre e caminha o dia todo, mas parece-me um bocado cedo para estas coisas de velhota, não?!

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Um dia de Partir a Cabeça

Ontem foi um dia de partir a cabeça. Em sentido literal e em sentido figurado, para não faltar nada. Senão vejamos:

 

Manhã

O Nobel da Literatura foi para o Dylan. Tudo em polvorosa pelo mundo cibernético. Uns contra, outros a favor. Mas afinal qual é o valor que o Nobel tem para que os ânimos ficassem ao rubro? Só compram livros de laureados para a estantes lá de casa e chatearam-se por isso? No que me diz respeito o gajo é um bom poeta (já a cantar não me aquece nem me arrefece). Pode não ser o melhor, e a justificação da academia, tendo em conta que é um nobel para a literatura, deixa o feeling das jogadas políticas por detrás da escolha. But then again... not worth the fight. Parabéns Bob!

BobNobel.jpg

 

Tarde

14h - Teste na Faculdade. O primeiro teste desde há muito. Foi como as aulas: viajar na maionaise sem fio condutor. Não estou lá com grande fé no resultado da coisa. Mas como diria o Bogart:

 

Casablanca.jpg

 

 

16h - Estou numa aula. Como é óbvio o telemóvel está em silêncio, e como é menos óbvio está dentro da mochila, para lhe dar atenção depois da aula (sim, porque esta malta está nas aulas mas está a whatsappar e afins, à frente do professor!!!). Saio e tenho chamadas não atendidas com fartura e mensagens do maridão. O puto partiu - literalmente - a cabeça na escola. Foi para o hospital. Sofre, sofre, sofre. O pai foi lá ter, mandou foto e lá sosseguei.

 

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18h - Aula de lógica. Uma imagem vale mais do que mil palavras não é? Nem digo nada, é ver meu povo, é ver:

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A noite acabou num regabofe de pizza e vinho (para mim, não para os miúdos) a ouvir em primeira mão o relato de como o meu filho foi a correr contra um poste de madeira no recreio, levou pontos e não chorou, e ganhou o crachá da educadora como medalha de bravura. É disto que se fazem os heróis e de que se enfraquece um coração de mãe.

Karaté Kid em potência

O meu miúdo sofre de um saudável excesso de energia. Acrescentem a isto a testosterona em potência, um uso exacerbado de onomatopeias e admiração pelas Tartarugas Ninja e têm uma ideia aproximada do que me saíu na rifa.

 

Vai daí na escolha de actividades para este ano o Karaté foi assim uma opção condicionada.  A outra escolha recaíu na Natação, quer pelo lado saudável, quer pelo desenvolvimento que já testemunhámos na irmã, quer porque o gajo é meio maricas com a água. Aqui nem teve opção.

 

Mas voltando ao Karaté, quando conversámos depois da primeira aula estas foram as impressões dele:

"- O chefe é careca e ensinou-nos a fazer posição de super-herói." - ok, temos de trabalhar na parte do chefe e na descrição, mas careca até combina com o meu imaginário, e de facto marcou-o porque não está habituado a carecas.

"- O chefe fez-nos sentar em silêncio e meditar, e dar pulos e pontapés" - bingo! cá está a parte das artes marciais que achei por bem introduzir na vida do miúdo. Não é fácil ser rapaz, pode ir aprendendo já estas coisas da concentração que tenho a certeza que vai ser muuuuito útil lá mais para a frente.

 

5a feira há mais, mas começamos bem.

MrM.jpg

 

 

Tragédia mais do que Grega

A vida social dos meus filhos está, para já, a ser gerida pela minha (e do pai) agenda. Sejamos francos, ela tem 6 ele tem 4 e nós temos mais do que fazer do que andar com os putos para trás e para a frente a correr todas as capelinhas dos aniversários.

Mas quando eles falam de forma recorrente de um amiguinho e chega o convite para a festa de anos esta mãe tem coração, pergunta se querem ir, o que é que o amiguinho ou amiguinha gosta, escolhe-se o presente e cumpre-se o dever parental.

Na semana passada ele tinha um destes amigos a fazer anos. Chegou o convite, o jovem informou que o amigo era fã das Tartarugas Ninja (desconfio de haver aqui uma certa projecção, mas está bem... ), dos Avengers e de karaté.

Presente comprado, o almoço de Domingo foi às pressas, a toque de "come tudo para irmos para a festa", e técnicas altamente avançadas de aliciamento, interrompidas por contra-resposta negocial: "mãe, só mais duas colheres está bem?".

Ainda houve tempo para discutir com o Pai a hora da festa, que teimava que era às 16h, e eu às 14h. Fui buscar o convite e voilá, 1 ponto para a Mãe. Era mesmo às 14h.

 

Chegámos com o elegant delay de 8 minutito (atrasados depois da correria basicamente) a ansiar despachar o puto e ir tomar um café descansados só com a miúda. Informei a moça que ele vinha para a festa do amigo, e ela diz-me com um ar surpreso, que hoje não tinha nenhuma festa com aquele nome. Pânico.

 

Está o puto agarrado ao saco com o presente à procura dos amiguinhos, já a começar a descalçar-se, pronto para se atirar para os insufláveis e eu a ver a minha vida a andar para trás. E andou. Efectivamente a festa tinha sido às 14h, mas 24 horas antes. No Sábado.

Scream.jpg

Foi a primeira vez (e espero que a única) que me acontece um episódio destes. Seguiu-se um pedido de desculpas (foi mais implorar perdão) uma explicação  do que aconteceu a um miúdo de 4 anos de braços cruzados e testa franzida, e tentar conter a mega justificada birra que estava prestes a rebentar.

Mas como disse foi a primeira vez, e acho que o meu ar aflito/desesperado/culpado convenceu o gajinho, que até foi condescente comigo e me desculpou com uma festinha na cabeça.