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A Malabarista

Diz que tenho um blog quase, quase na flatline

Verdade. A culpa é dos malabarismos.

 

MAS, tal como o último episódio de GOT - que só serviu para recapitular onde andava a malta de Westeros, aqui fica um apanhado dos últimos meses:

- As aulas acabaram, num misto de "adoro isto" e "ano zero sónia cristina, ano zero". Não foi um sucesso. Foi um esforço contra-natura de complicar em vez de simplificar, coisa que estou mais do que habituada. Tudo bem. Terminei com média de 16. Só não me perguntem quantas cadeiras fiz...

 

- O Salvador Sobral lá ganhou a Eurovisão, de forma tão épica e estranha quanto ele. Não vou para aqui alardear que já gostava do moço antes do estrelato, que eu gosto de gajos com voz mais profunda. Mas é fofinho, é bom naquilo que faz, e é diferente da azeitada com que costumamos concorrer. 

 

- Os meus planos para o Verão eram praia, praia, praia. Pois, continuo branca como a areia, atulhada em trabalho de bastidores, a tornar-me ninja num monte de coisas, no modo aprende sozinha que é preciso. Gosto. Tentar alguma cor no próximo mês.

 

- A malta do IEFP tem me deixado sossegada. Pensava que era simpatia deles, mas afinal não. Parece que do famoso "plano de carreira" com que presentearam os desempregados deste país só tem 4 ou 5 sessões implementadas e a vossa cara Malabarista já as picou todas.

 

- Anúncios de emprego, entrevistas e afins merecem um post próprio e um walk of shame estilo Cersei Lannister. Não se pode com as vergonhas que por aí se publicam.

 

- E para fugir ao GOT, estou viciada no The BlackList. A season 1 é fraquinha, fraquinha, mas está lá o James Spader por isso continuei a ver enquanto passava a ferro. Depois evoluiu muito. Aquela sonsa da protagonista - que enquanto profiler do FBI não consegue traçar o perfil certo do próprio marido (mega LOL) depois entra nos eixos, e vale a pena.  E por falar no James Spader, há malta muita marada, atentem nesta homenagem até ao fim:

Vinho do Porto autêntico este homem. E a música está absolutamente perfeita. Pronto, há malta muita marada, e ainda bem. 

 

- As maminhas novas são um must. Aconselho vivamente a quem já algum dia ponderou fazer este tipo de cirurgia que faça. Se não pelas milhentas razões que podia aqui enumerar pelo menos por uma: sutiãs sem almofadas. Sim, sem esponja estilo colete à prova de balas a sufocar. É o paraíso.

 

- Fiz dez anos de casada. Fugimos sem miúdos e tivémos tempo só para nós. Dez anos... que aves raras. 

 

- Estive de castigo durante um mês inteiro, com os miúdos a fazerem praia em quinzenas separadas. Prepará-los, levá-los à escola a horas diferentes e ter de os esfregar ao fim do dia por estarem, literalmente, encardidos, de tanta brincadeira livre por aí na terra. O pior castigo é aquele momento ao final do dia em que eles descomprimem sob o formato de birra, pelos motivos mais idiotas possíveis. Estou eu a vê-los, com uma calma, desculpem lá, do car*****, a espernearem, chorarem, ficarem roxos, porque... sei lá, a batata frita está queimada na ponta.

É respirar fundo, dar espaço e amor. Eventualmente a catástrofe passa. Comecei a usar a técnica do "Qual é o tamanho desse problema?" que li por aí num blog de parentalidade positiva. Com ela funciona. Com ele é de luas. 

 

E pronto. Daqui a nada há mais. Se não houver enviem-me um desfibrilhador. 

Agradecida às duas pessoas que me lêem. Kudos para vocês :p

 

 

Bipolaridades de uma gaja morena.

Que dia mais bipolar o de hoje.

 

Começo com uma aula de três horas a sentir-me a gaja mais burra à face da terra.

Hora do almoço ligam-me para dar uma noticía espectacular.

Recebo a nota de uma frequência: 15 YAY!!!

Troco a hora da reunião de pais, epic fail.

A bateria do meu carro morre - e já sei que as vou ouvir...

 

Do outro lado do espelho...

almofada-respira-inspira-nao-pira-presente.jpg

 Não vou falar do frio, do acordar cedo ou do simples sair de casa. Tudo isso são males menores. Quero falar de me marcarem uma sessão do IEFP no meio de um bairro social - não tivesse eu crescido na pior escola do distrito de Setúbal e isto seria dramático só por si - sobre o tema "Mobilidade e Emprego".

Lá fui eu. Pontual, com a minha convocatória, depois de estacionar o carro quase quase num eucaliptal, enquanto uma família puxava a brasa a um assador na rua e bebia umas bejecas - sim, eram dez da manhã.

Cheguei, entreguei a convocatória, a senhora perguntou-me duas coisas perfeitamente aleatórias: ano de nascimento e escolaridade. Só porque sim. Sentei-me, com os meus camaradas desempregados.

A senhora apresentou-se, deu-nos os bons dias e seguiu-se este monólogo:

"-Oh! Esqueci-me do retroprojector! Isto vai ser mesmo muito rápido hoje. É assim, se aceitarem uma proposta de trabalho num raio de 50km da vossa casa recebem o apoio X, se for mais de 50km o apoio Y e se quiserem ir para o estrangeiro informem-se que também há apoios. Era só isto. Obrigada por terem vindo."

 

 

 

Sensibilidade e Bom Senso

Eu, com uma grande calma e tom pedagógico a explicar aos miúdos que às vezes recebemos presentes de que não gostamos, e que não há problema nenhum, agradecemos e sorrimos. Explico que se isso acontecer na noite de Natal dão o presente para a mãe guardar e depois vamos à loja trocar.

 

Na hora de testar os conhecimentos adquiridos disse-lhes, agora imaginem que recebiam um saco de batatas, o que é que diziam? As respostas foram:

 

Ele: " UUUhhhh, isso é feio cheira a puns!"

 

Ela: " Obrigada! - sorriso -  Mas não gosto"

 

Jimmy Kimmel Style:

 

 

Presentes de Natal 2016 - Se os meus miúdos não existissem tinham de ser inventados...

Esta família é uma desgraça no que toca a dar presentes aos miúdos (eu incluída) por isso há muito tempo que a regra de 1 presente apenas está instaurada, e até temos sido relativamente bem sucedidos na tarefa. Tendo um com 4 e uma com 6 anos os presentes mais pedidos não são de todo do mais exorbitante. Aliás, eles avaliam o presente pelo tamanho da caixa - o que já deu origem a choradeiras, explicações exaustivas e por fim um get over it da parte desta mãe e do respectivo pai. Contudo há pedidos daqueles que vale a pena registar para mais tarde me rir. Vejamos:

 

Ele gostava de receber o Senhor Dinkles. E quem é o Senhor Dinkles? Em que filme é esta a personagem principal, o herói ou vá, pelo menos a personagem que faz umas piadolas? Bem, em nenhum. Entra no filme dos Trolls e é o peluche de estimação de uma personagem - o Biggie. O meu filho não quer a personagem, não, ele quer o peluche da personagem. Quem sabe o miúdo é alto visionário e não tarda há um spinoff do peluche?

 

BiggieDinkles.jpeg

 

 

Ela anda há anos a pedir-me algo que não compreendo: um spa de contas para os pés. Eu sei que ela salta, pula, corre e caminha o dia todo, mas parece-me um bocado cedo para estas coisas de velhota, não?!

BeadsSpa.jpg

 

 

Crise de Meia-Idade?

Primeiro comprei uma pistola de cola quente. Não sei porquê, comprei. Sempre quis ter uma e pronto comprei. 

Agora comecei a partilhar receitas (com foto e tudo) num fórum da Bimby.

Daqui a um mês vou meter maminhas.

 

Será crise da meia-idade?

 

É que não parece nada. Parece-me antes que faço o que quero quando quero (ainda que as opções não sejam de todo coerentes entre si, but who cares?) e estou a gostar muuuuito!

 

Giveadamn.jpg

 

Pavlova 1 - Malabarista ?

Esta pessoa, que devia estar a passar a ferro, está a travar um braço de ferro com a senhora Pavlova. Sábado passado comecei esta luta, com a primeira tentativa - afinal quão difícil é cozer um suspiro gigante e recheá-lo? 

Aproxima-se o jantar de Natal a passos largos, e eu que sou moça para beber uns copitos e alapar no sofá a ver o circo de Montecarlo tenho de me chegar à frente em qualquer coisa que me faça merecer o jantar. Por isso as sobremesas são uma aposta segura. Este ano decidi fazer Pavlova, e o efeito almejado é qualquer coisa deste género:

 

pavlova-1.jpg

Imagem tirada daqui 

 

Acontece que do efeito almejado até à dura realidade a distância é curta. O raio do suspiro gigante e eu ainda não nos entendemos quanto à consistência e solidez do dito.

Hoje tenho mais um, mas o gajo já se mirrou (sim, deixei arrefecer completamente, e não, não abri o forno até estar completamente frio). O curd de Maracujá está maravilhoso, o chantilly é tranquilo, por isso doce não falta. Só mesmo o aspecto da foto. 

Conselhos aceitam-se.

É por isto que eu gosto do Wes Anderson

A minha vida é tão surreal quanto os filmes dele. Estéticamente podia ser mais parecida que eu não me importava nada, já em argumento não lhe fico nada atrás.

Senão vejamos: parte do que aqui relato começou a 13 de Setembro. Há episódios que não conto porque a privacidade e as represálias futuras dos meus filhos ainda pesam na consciência. Contudo já existe este manancial de episódios:

 

Coisas que só me acontecem a mim...

Choques da 1a classe, ou "eras igualzinha" segundo a minha mãe.

A bem da auto-disciplina vamos lá ver se isto funciona.

Ele podia chamar os Serviços Sociais não podia?

 

Sou uma crente do adágio "mais tarde vais-te rir", e de facto, além de me rir na hora, rio-me muito depois. Por isso aqui fica mais uma pérola digna de screenplay do Mr. Anderson:

- Ontem meti bacalhau a demolhar, 18 euros de bacalhau fanana asa branca não sei de onde, que decidi comprar salgado porque como recém desempregada tenho de ser responsável com os gastos. E não sei se já repararam mas o bacalhau já demolhado, por 18 euros levam duas postinhas e nem a espinha sobra para o gato. Lá comprei, trouxe para casa, e qual mamãe me ensinou (e sogra repetiu trezentas vezes) preparei todo o ritual do alguidar e calculei as horas das mudas de água. 

- 21:30 hora da primeira muda de água, pontualmente despejo a água em que estava o dito bacalhau a demolhar, preparo para voltar a encher o alguidar e eis senão que (entrava aqui um grande plano perfeitamente simétrico cheio de cor e expressão facial condizente, que à falta de melhor pode ser isto:

wesandersonstill.jpg

 não havia água. Não havia água. Nem uma gota. No water. Keine Wasser. 

 

Já não chega duas miúdas doentes, uma das quais tosse sem parar - ao que o médico disse "é deixar tossir", e a outra com privação de sono EU! Ainda para mais a água foi-se, justo no dia em que meto o raio do bacalhau de molho. Só a mim. Juro.

 

De modos que, além de no meu imaginário viver dentro destes filmes, sou neste momento a primeira pessoa à face da terra a demolhar bacalhau em água engarrafada. A água ainda não voltou. Estamos em contenção de xixis e cócós. Já fui à rua averiguar e rebentou uma conduta próxima. Os senhores da câmara estão lá na fossa (literal, não metafórica) a tentar resolver a coisa. 

Aqui, a miúda e as suas febres começam a mandar smell. O bacalhau manda smell. Já acabei com o WCpato, e o stock de água engarrafada do supermercado mais próximo já desapareceu. 

 

Aguarda-se o desfecho feliz deste dia.

 

wesandersonMK.jpg

 

Está a aberta a época

das constipações, viroses, gripes, bactérias, surtos de tudo e mais um par de botas. É assim desde que há pirralhetes aqui. Não há volta a dar. Há todo um passa ao próximo e não ao mesmo até que os bichos são vencidos por cansaço. Haja a dupla paracetamol + ibuprofeno que a malta vai-se aguentando. Descobri recentemente a app febre-i-dor que é quase perfeita para manter o registo da medicação e da febre dos miúdos. Quase perfeita porque só dá mesmo para os pequenos, de resto ele é perfis personalizados, doses certas de medicamentos, alertas, e o registo fica lá. Sem que na próxima vez que vá à pediatra tenha de fazer as figuras tristes do "acho que foi mais ou menos..."

febre-i-dor app.png

 

Devia ter desconfiado que lá vinha coisa, a começar por mim, porque desde 4a feira da semana passada que estou numa letargia deprimente-ó-melancólica que não é nada minha. Quando se anda a mil é fácil confundir o cansaço temporário e a preguiça com um valente ataque de herpes e febres altas. Só me deu para dormir, dormir, dormir (ou hibernar, também é uma hipótese).  Tenho o lábio inferior 3x maior do que o normal, e se esta porra dói. Não me apetece estudar, nem pensar, nem ler, nem sequer ver séries.

 

Uma das tragédias que me assolou foi precisamente ter ficado orfã de séries assim de um dia para outro. Não sei se é só comigo, mas uma pessoa vê uma série e quando aquilo acaba não é estilo capítulo encerrado vamos partir para a próxima. É mais do género, "o que será que anda o Castle a fazer? E a Maura Isles?". O pior de tudo é o factor hábito. Eu sei que o Castle está longe de ser uma série perfeita. Mas divertia-me, dava para passar a ferro, pintar as unhas, cochilar a meio... E agora encontrar substitutos? Todo um drama. Não há nada que pegue. Vejo um episódio disto, outro daquilo... tragédia. É o que vos digo. 

 

RizzIsles.jpg

 Castle.jpg

 

Alguma sugestão?

WebSummit 2016

Este post devia chamar-se "Eu tenho dois amores".

Entre a Filosofia e o Trabalho na parte mais prática da minha vida a coisa está caótica. E nisto de ter dois amores acho que a Filosofia está a sair negligenciada. Não tenho aspirações de ser o Kant de saias do século XXI, mas também nunca me passou pela cabeça voltar a estudar para correr tudo a 10 e ficar feito. Quero mais, quero aprender mesmo e crescer mentalmente. Só que isto está a revelar-se difícil neste primeiro semestre de regresso ao estudo. É simplesmente too much going on.

Entre fechar uma empresa, a miríade (vês, não usei panóplia S.!) de afazeres de mãe/gaja/esposa, e o lado profissional a universitária que vive cá dentro está no mesmo estado que a malta que passou a semana em borgas, festas, tunas e bezanas: KO.

 

O WebSummit terminou ontem. Três dias a absorver o máximo possível (e a faltar a todas as aulas pelo meio)

O evento é uma coisa monstruosa, com pontos a melhorar para o próximo ano, o balanço é definitivamente positivo quanto à organização. Não é hábito ir-se a um evento em Portugal onde as pessoas são simpáticas e sorridentes para todo o tipo de pessoas. Consta que circularam indicações do género "como não é possível identificar quem é a malta importante tratem todos bem". O princípio é mau? É. Mas o resultado foi bom, e com a energia positiva que voluntários e seguranças, forças da autoridade e funcionários receberam espero que o efeito se mantenha para lá do evento. 

 

Gostei da diversidade de áreas tão diferentes como: AI, Moda, Saúde & Fitness, Finanças, Turismo, unidas pela malha da web e da tecnologia. É inegável que estamos a viver a revolução tecnológica e que o nosso tempo, as nossas necessidades e a nossa forma de estar são vividas a uma velocidade muito mais rápida do que as gerações anteriores à nossa. O potencial é enorme.

Gostei da acessibilidade para saber mais sobre projectos interessantes, fazer perguntas, ouvir pitches. Há inspiração em qualquer lugar ali dentro.

 

Não gostei:

- da falta do mesmo fio condutor para os diferentes palcos: agora é um debate, a seguir é uma apresentação, depois uma conversa a dois. Fazia-me sentido que num palco se fizessem apresentações, noutro existissem conversas, noutro Q&A's, ou em alternativa, por dias: dia de talks, dia de debates, e por aí. 

- da qualidade dos presenters. Estão no WebSummit p'lo amor da Santa! Powerpoints que o pc trás de raíz, imagens pixelizadas, vinte linhas de texto em cores que rasgam a retina e provocam ataques de epilepsia... NÃO! Sem falar em pessoas com tópicos interessantes mas boring as hell. Fiquei com a sensação de não haver curadoria nem apoio de qualquer espécie aos speakers.

 

Se alguém conhecer o Paddy, vá da minha parte e diga-lhe que eu faço isso para o próximo ano e garanto WOW factor até nos tópicos mais entediantes do universo. Obrigada.

 

Dois exemplos que ilustram isto:

 

O Joseph Gordon-Levitt é actor, é giro, carismático e tem um projecto maravilhoso que podem espreitar aqui. Até tinha um bom deck de slides, bem feitos, harmoniosos, claros e concisos. Depois a apresentação foi... aborrecida. Nem mais nem menos, só aborrecida. Desliguei ao fim de cinco minutos, tomei nota do nome do projecto para ver depois e bati palmas quando os outros bateram. Como na missa...

 

O Gary Vaynerchuk é empreendedor. Mais do que isso é um gajo que inspira, que contagia, que acrescenta valor. Em suma, que faz a festa sozinho. Já vi talks melhores em termos de conteúdo, mas ele incendeia uma plateia seja qual for o tópico. Ninguém sai dali indiferente. 

 

 

Agora, com dois testes para a semana e TODA a matéria em atraso... acho que vou enfiar-me num claustro só com um candeeiro a petróleo algures na Arrábida durante os próximos dias. Wish me luck!

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